Comece por uma tarefa concreta e repetível

Para descobrir se uma ferramenta de inteligência artificial generativa pode ajudar, não precisa de começar com uma afirmação abrangente sobre «produtividade». Delimite a questão: reduz o tempo necessário para preparar um resumo de uma reunião, classificar pedidos ou redigir uma primeira versão sem baixar o nível de qualidade aceitável? A resposta só será pertinente para essa tarefa, esse tipo de material e as condições que testou.

Escolha uma atividade que possa ser repetida em circunstâncias razoavelmente comparáveis e cujo resultado possa ser revisto. Antes de começar, defina o que conta como trabalho concluído: por exemplo, um resumo que inclua as decisões, os responsáveis e os prazos presentes em apontamentos, sem acrescentar informações que não constem deles. Defina os critérios de qualidade antes de comparar os resultados para não os ajustar posteriormente a favor da versão que prefere.

Registe também as condições que podem alterar a comparação: a extensão e a dificuldade do material, a familiaridade com a tarefa, a ferramenta e a versão utilizadas e o formato exigido. Se os casos forem muito diferentes, a diferença de tempo pode dever-se a essa variação, e não à utilização de IA. Para uma primeira verificação, utilize documentos de teste ou informações que esteja autorizado a tratar.

Prepare dois testes comparáveis

Faça uma execução sem IA e outra com a ferramenta escolhida, mantendo o mesmo objetivo e usando material equivalente. Se só tiver um documento, não utilize exatamente a primeira resposta como ponto de partida para o segundo teste: já conhecer o conteúdo pode facilitar a repetição. É preferível testar dois casos semelhantes e, se repetir o exercício, alternar qual deles aborda primeiro.

No teste com assistência, delimite o que pede ao sistema e o que faz por si. Guarde a instrução utilizada e registe se foi necessário reformulá-la, fornecer contexto, esperar por uma resposta ou corrigi-la. No teste sem IA, contabilize também o tempo de preparação e revisão. Compare o processo completo, não apenas a rapidez de geração: uma resposta rápida que exija muito trabalho posterior pode não reduzir o esforço total.

Um protocolo simples ajuda a manter a comparação organizada:

  1. Escolha dois casos de dificuldade semelhante e defina o resultado esperado.
  2. Meça desde o início do trabalho até o resultado estar revisto e pronto.
  3. Registe separadamente o tempo dedicado às instruções, à edição, à verificação e às correções.
  4. Aplique a mesma lista de verificação da qualidade aos dois resultados.

Uma única execução não constitui um teste conclusivo; serve apenas como indicação inicial para decidir se vale a pena repetir o exercício.

Meça o tempo, as correções e a qualidade

Registe o tempo total de cada caso e, se possível, discrimine as fases do trabalho. Inclua a preparação do material, a redação ou o ajuste das instruções, a revisão da resposta e a correção de erros. Anote também quantas correções importantes foram necessárias e que problemas surgiram: omissões, dados incorretos, formato inadequado ou conteúdo sem sustentação no material de origem.

Em seguida, compare os resultados com a mesma lista de verificação. No caso de um resumo, pode verificar se todos os pontos relevantes estão incluídos, se os nomes e os números correspondem à fonte, se os factos e as dúvidas estão diferenciados e se a extensão pedida foi respeitada. Não é necessário criar uma pontuação sofisticada: basta que os critérios sejam observáveis e aplicados igualmente às duas versões.

Um modelo básico pode incluir: tarefa e data; ferramenta e versão; dificuldade estimada; tempo total e por fase; número de revisões; erros relevantes; critérios cumpridos; e decisão final. Se outra pessoa analisar os resultados sem saber qual foi produzido com IA, poderá reduzir-se parte do enviesamento, embora este não desapareça por completo. O objetivo não é obter um número universal, mas verificar se a possível poupança de tempo compensa as revisões e o risco de erro.

Interprete o resultado sem extrapolar

Se a versão assistida ficar concluída mais cedo e cumprir o mesmo nível de qualidade, a conclusão deve limitar-se ao que foi observado: nesse teste específico, a ferramenta pareceu poupar tempo sem prejudicar os critérios avaliados. Isso não demonstra que o mesmo aconteça com outras tarefas, pessoas, materiais mais complexos ou numa organização inteira. Também não permite atribuir qualquer melhoria exclusivamente à IA: a prática, a ordem dos testes ou as diferenças entre os casos podem ter influenciado o resultado.

Se o tempo diminuir, mas aumentarem as omissões ou as verificações, o cronómetro não deve ser o único indicador. Se a qualidade melhorar, mas o processo demorar mais, a ferramenta ainda poderá ser útil, embora o benefício não consista em poupar tempo. Se o resultado depender muito da forma como a instrução é redigida, registe essa dependência: aprender a utilizar a ferramenta também faz parte do custo, pelo menos no início.

Repita a comparação com vários casos semelhantes antes de alterar um fluxo de trabalho. Mantenha o protocolo e registe qualquer mudança de ferramenta ou método para não misturar resultados. As análises sobre IA e emprego abordam fenómenos mais amplos do que um teste individual e não substituem a medição de uma tarefa concreta. Uma experiência pessoal pode orientar uma decisão local e passível de revisão, mas, por si só, não sustenta uma afirmação geral sobre produtividade.

Proteja as informações antes de testar

Antes de introduzir conteúdo de trabalho, consulte as regras da sua organização e a documentação oficial de privacidade do serviço que pretende utilizar. Verifique que dados são tratados, para que fins, durante quanto tempo poderão ser conservados e que controlos estão disponíveis para o tipo de conta em questão. Não introduza dados pessoais, segredos comerciais ou informações confidenciais sem autorização e uma base adequada; retirar os nomes nem sempre basta se o contexto permitir identificar alguém.

Se não for claro se pode utilizar um documento real, consulte a pessoa responsável pela segurança, privacidade ou conformidade. Para experimentar o procedimento, utilize um caso fictício ou material público, desde que não reproduza informações protegidas. Não parta do princípio de que as condições de uma conta pessoal são iguais às de uma conta empresarial: consulte as que se aplicam à ferramenta e à configuração específicas.

A Organização Internacional do Trabalho publicou uma edição atualizada de 2025 sobre IA generativa e emprego, centrada num enquadramento laboral mais amplo do que a avaliação de uma tarefa individual. Por outro lado, a Agência Espanhola de Proteção de Dados aborda os prompts como um possível ponto de exposição de dados pessoais e de confidencialidade. Estas referências não substituem as regras internas nem a documentação do serviço específico: um teste de desempenho não autoriza, por si só, o tratamento dos dados utilizados.

Decida se vale a pena repetir o teste

No final, formule a conclusão com quatro elementos: tarefa testada, condições, resultado observado e principal limitação. Por exemplo: «Em três resumos de apontamentos fictícios, a assistência reduziu o tempo registado, mas foi necessário verificar todos os números; não foram testados documentos reais nem outras tarefas». É mais preciso do que afirmar que «a IA aumenta a produtividade», porque deixa claro o que foi medido e o que não foi.

Repita o teste se os casos não forem comparáveis, se tiver havido apenas uma execução ou se pequenas variações tiverem alterado o resultado. Também poderá ser razoável começar por tarefas de baixo risco e critérios de revisão claros antes de considerar utilizações em que um erro teria consequências importantes. Se o benefício desaparecer quando se contabilizam a edição e a verificação, talvez a ferramenta não compense nesse fluxo de trabalho específico, embora possa ser útil noutro.

A decisão final poderá ser manter o processo manual, integrar a ferramenta com revisão humana ou realizar um novo teste mais controlado. Não deverá depender de um número isolado: são importantes a qualidade exigida, o custo de corrigir erros, a sensibilidade dos dados e a possibilidade de repetir a poupança de tempo. A conclusão mais sólida é a que não vai além do que foi realmente observado.