O lema de 2026: sustentabilidade na era digital
O Dia Mundial da Internet é celebrado todos os anos a 17 de maio. Para a edição de 2026, o lema oficial foi «Sustentabilidade na era digital, por uma Internet sustentável», uma proposta que liga o uso da tecnologia ao cuidado do meio ambiente, à redução das lacunas digitais e aos direitos digitais. Esta formulação reúne questões que são tratadas separadamente e coloca-as numa mesma conversa sobre como a Internet é desenvolvida e utilizada.
Este tema convida à reflexão sobre o impacto ambiental, social e ético da transformação digital. Não se trata apenas de reduzir o consumo energético, mas de integrar uma visão global que coloque as pessoas no centro do desenvolvimento tecnológico, fomentando a cidadania digital e o uso responsável das ferramentas. Essa perspetiva ampla permite considerar tanto as consequências do funcionamento dos serviços e dispositivos como a forma como as tecnologias se incorporam na vida quotidiana.
Evento central no Senado
O evento institucional mais destacado da efeméride teve lugar na segunda-feira, 18 de maio de 2026, no Senado, em Madrid. A reunião, organizada pelo Comité de Impulso do Dia da Internet, começou com a boas-vindas da Presidência do Senado e a leitura do Manifesto pela Sustentabilidade na Era Digital. O texto posicionou a sustentabilidade como eixo do dia e serviu de enquadramento para as atividades institucionais previstas no evento.
Durante o dia, foram entregues os Prémios da Internet 2026, que reconhecem iniciativas, organizações e pessoas destacadas no âmbito digital. O evento foi transmitido em direto a partir das 12:00, permitindo aos cidadãos seguir as reflexões sobre o bom uso da Internet e os desafios da sustentabilidade. A emissão ampliou o acesso ao evento para além de quem assistiu presencialmente e deu seguimento público aos conteúdos do dia.
Atividades da INCIBE e educação digital
O Instituto Nacional de Cibersegurança (INCIBE), juntamente com o INTEF, desenvolveu atividades específicas para o setor educativo. A 11 de maio, realizou-se um workshop online intitulado «Claro, aqui tens outra proposta. O que farias?», desenhado para trabalhar com o aluno a tomada de decisões em situações como a difusão de imagens íntimas geradas com IA ou a sextorsão. A atividade propôs situações concretas para que os estudantes pudessem avaliar como responder a riscos que podem surgir em ambientes digitais.
O programa da INCIBE incluiu também uma conversa com o ministro Óscar López e a entrega de prémios do concurso «O que é para ti o 017?». Estas ações buscam reforçar a segurança digital e a proteção de dados entre os mais jovens, utilizando o telefone 017 como recurso de ajuda em cibersegurança. No conjunto, o programa combina o trabalho educativo com a difusão de um canal de apoio, para que a prevenção e a possibilidade de pedir orientação façam parte da conversa sobre a segurança na Internet.
Iniciativas da sociedade civil e educação
Organizações como a Somos Digital e o projeto Cidadania Digital de Castela-Mancha impulsionaram mais de 30 atividades ligadas à sustentabilidade digital. Entre elas incluíram-se videofóruns sobre lixo eletrónico, workshops sobre inteligência artificial e dinâmicas como «A história digital: das coisas», que convida a descobrir o ciclo de vida completo dos dispositivos. O leque de propostas ligou temas tecnológicos a objetos e decisões próximos, e permitiu abordá-los através de formatos distintos.
A Semana da Internet (de 10 a 17 de maio) reuniu empresas e comércio eletrónico para oferecer promoções e ações de sensibilização. Estas iniciativas buscam gerar conversa e aprendizagem a partir de situações quotidianas, como o que acontece a um telemóvel quando deixamos de o usar ou como alargar a vida útil dos nossos equipamentos. Assim, as atividades relacionam o consumo digital com perguntas práticas sobre a duração dos dispositivos e o seu destino quando já não são utilizados.
O que significa a sustentabilidade digital
A sustentabilidade digital abrange três dimensões principais: ambiental, social e de governança. No âmbito ambiental, foca-se na redução do impacto energético e na economia circular. No social, promove a transformação inclusiva, a conectividade e a redução das lacunas digitais. Considerar estas dimensões em conjunto ajuda a entender que o impacto da tecnologia não se limita aos recursos que consome: também importa quem pode aceder a ela e em que condições.
A dimensão de governança centra-se na transparência, na segurança, na proteção de dados e no uso ético da inteligência artificial. Esta visão integral busca que a transformação digital contribua para o bem-estar geral, e não apenas para o crescimento económico, integrando valores de responsabilidade e ética no desenho e uso das tecnologias. Por isso, a sustentabilidade também depende das decisões sobre como os sistemas são desenvolvidos e aplicados, e de que os seus efeitos sejam considerados desde o início.
Balanço e limites da edição 2026
A edição de 2026 serviu para tornar visíveis projetos e reflexões sobre o bom uso da Internet. No entanto, é importante distinguir entre as atividades celebradas e os compromissos políticos ou resultados ambientais concretos. O manifesto lido no Senado estabelece um roteiro, mas a sua implementação depende das ações futuras das instituições e dos cidadãos. A celebração e a difusão de propostas permitem abrir o debate, embora por si só não atestem que esses compromissos já se tenham traduzido em resultados.
O Dia da Internet não é uma novidade tecnológica, mas uma efeméride de sensibilização. O seu valor reside na capacidade de mobilizar a sociedade civil, as empresas e as administrações para abordar os desafios da era digital de forma sustentável e responsável, sem perder de vista o impacto real das nossas decisões digitais no planeta. O balanço, portanto, combina a visibilidade das iniciativas com um olhar prudente sobre o que resta por aplicar: a continuidade das ações será determinante para que a reflexão se converta em mudanças concretas.