Um marco na conectividade global
O Relatório Digital 2026, publicado em outubro de 2025 pela We Are Social em colaboração com a Meltwater, marca um ponto de inflexão na história da conectividade. Com mais de 700 páginas de dados, este estudo confirma que a adoção da internet superou a barreira de 6 bilhões de usuários em nível mundial. Este número representa uma penetração de 73,2% da população global, indicando que a lacuna digital está se fechando a um ritmo acelerado nas economias emergentes.
A metodologia do relatório baseia-se em dados coletados até o final de 2025, permitindo que as empresas planejem suas estratégias com informações atualizadas. Diferentemente de edições anteriores, este documento integra pela primeira vez de forma tão profunda os dados de adoção da inteligência artificial, reconhecendo que a IA não é mais uma tecnologia de nicho, mas uma ferramenta de massa que redefine a interação com o conteúdo digital.
A supermaioria nas redes sociais
Um dos achados mais destacados é que os usuários de redes sociais alcançaram o status de supermaioria. Segundo os dados do relatório, 5,66 bilhões de pessoas utilizam ativamente essas plataformas, o que equivale a 68,7% da população mundial. Este crescimento sustentado demonstra que as redes sociais deixaram de ser um canal complementar para se tornarem o principal ponto de contato entre marcas e consumidores.
A demografia desses usuários mostra uma tendência clara para a mobilidade. 70,1% da população global possui um dispositivo móvel, com 5,78 bilhões de usuários ativos. Em mercados como a Espanha, 95% dos usuários acessam a internet principalmente através do celular, o que reforça a necessidade de estratégias mobile-first para qualquer campanha digital que aspire a ser relevante em 2026.
A inteligência artificial como padrão
O relatório revela que mais de 1 bilhão de pessoas utilizam inteligência artificial todos os meses. Este número não apenas reflete a popularidade das ferramentas generativas, mas também a integração da IA em serviços cotidianos como a busca de informações, a assistência virtual e a criação de conteúdo. A adoção da IA é já consideravelmente mais ampla do que sugerem as manchetes, com milhões de novos usuários descobrindo essas ferramentas diariamente.
No caso da Espanha, os dados mostram que 31% dos usuários recorrem a grandes modelos de linguagem (LLM) para acessar informações, situando-se atrás dos buscadores tradicionais (87%) mas à frente dos assistentes de voz (23%). Esta mudança nos hábitos de busca obriga as empresas a repensar sua estratégia de SEO, incorporando otimizações para respostas geradas por IA.
Dados regionais: o caso da Espanha
A análise específica para a Espanha oferece uma radiografia detalhada do comportamento digital local. O país conta com 46,1 milhões de usuários da internet, o que representa uma penetração muito alta em uma população de 47,9 milhões. No entanto, o número de usuários de redes sociais experimentou uma leve queda de 1,8% no último ano, situando-se em 39,0 milhões. Esta discrepância sugere uma saturação ou uma reestruturação no uso das plataformas sociais no mercado espanhol.
O tempo médio dedicado à internet na Espanha é de 34 horas e 17 minutos semanais. Os principais motivos de uso são encontrar informações (67%), manter contato com amigos e familiares (60%) e manter-se atualizado sobre novidades (60%). Quanto a dispositivos, o celular domina com 95% de uso, seguido do computador (74%) e da tablet (38%). O navegador Chrome é o líder incontestável com 73% de participação de mercado.
Implicações estratégicas para o marketing
Para os profissionais de marketing, o relatório sublinha que o desafio já não é a falta de dados, mas a capacidade de processá-los em um ecossistema fragmentado. A busca está cada vez mais dispersa entre Google, marketplaces e LLMs, o que exige uma estratégia omnicanal mais sofisticada. As marcas devem priorizar a experiência do usuário em cada ponto de contato, já que o comércio eletrônico mostra que a experiência pesa tanto quanto o preço na decisão de compra.
A publicidade digital continua a dominar o gasto publicitário global, mas a atenção do usuário está se deslocando para plataformas de vídeo e redes sociais. O relatório destaca a ascensão do YouTube nas televisões conectadas e a evolução das expectativas dos usuários nas redes sociais. As empresas que não adaptarem seus conteúdos a estes novos formatos e canais correm o risco de perder relevância em um ambiente onde a atenção é o recurso mais escasso.